Inauguração “Ferida e a Faca”

Artes Visuais
Data: quinta, 15 de junho 18:30

Local: C22

Ferida e a Faca – instalação artística de Filipe Marques

A ideia de Homem à semelhança de deus treme e abala-se, cai por terra, não sendo necessário recorrer ao feminino para o representar; tão quanto basta ouvir dizer que alguém é bastante humano, porque é bondoso, à semelhança de deus. Mas será assim? A bondade será característica do Homem? E, de deus, também? Reconhecida a crueldade desse primeiro deus, o castigador, o flagelador, até descobrir o estrondoso falhanço do Homem. Que deus feminino quando o primeiro crime de sangue envolve dois irmãos, homens, não havendo lugar para a dúvida? O Homem sentirá um temor por si próprio, um entrave ao mal que o rodeia ou interioriza; ascese em angústia como só pode ser.

Que deus feminino articula uma linguagem quando a linguagem não importa? Um deus função do vivido, lavrado no profano, um pós-deus, ocorrido o falhanço do primeiro homem, e do segundo e do terceiro.

A guerra relativiza-se, assim como a fome, a peste e a morte, um espetáculo sem ordem ou ocasião propícia, e sempre o erróneo em acontecer não aqui, nem agora, que isto não é connosco.

Miguel Marques